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SWING FILOSÓFICO – O sagrado e o profano na Festa de São Raimundo

Hoje vamos falar um pouco sobre espiritualidade. A sua, a minha, a de um amigo, parente, namorado(a) e também sobre religiosidade, uma das formas do sujeito conseguir ascender/desenvolver sua espiritualidade.

Mas o que diacho é espiritualidade? Grande parte dos teóricos e dos cientistas são unânimes em afirmar que espiritualidade remete a busca do “sentido pela vida”, um significado maior do que comumente nos oferecerem do ponto de vista social, ético, político e cultural. É algo da ordem do transcendental, algo além da percepção comum que temos acerca da vida. Pode ou não estar ligada a experiência religiosa

Por outro lado, a religiosidade é a busca pelo transcendental através dos mais diversos sistemas religiosos existentes. Pensa-se a vida a partir da(s) divindade(s) e de seus mais diversos ensinamentos/entendimentos acerca do bem viver e da busca de uma ressignificação da nossa existência, com o objetivo fim de uma construção para o além-vida. Tudo isso permeado pela religião, elementos de crenças e ritos que devem ser seguidos pelo sujeito, para alcançar a transcendência.

A própria organização Mundial de Saúde define saúde como completo estado de bem-estar biológico, psicológico, social, espiritual e ecológico. Muita coisa para dar conta, não concordam? Ou seja, pensar a espiritualidade é condição sine qua non para pensar-se a saúde do todos nós, reles mortais.

Dito isso, vamos falar um pouco sobre nossa festa do Padroeiro, São Raimundo Nonato. Percebe-se que em toda manifestação religiosa, existem elementos do sagrado, com toda a sua ritualística e elementos de construção subjetiva e de laços sociais por parte dos fiéis, e, por outro lado, o profano, a antítese existencial de todo sagrado, a vivência comum, aquilo que muitas vezes o coloca de encontro com o próprio desejo ou o que o destitua de um encontro genuíno com o divino. Vulgo, as pornografias da vida cotidiana.

Houve, em nossa cidade, movimento recente que discriminou, colocou em xeque a junção entre festa de São Raimundo Nonato (festa católica de devoção ao padroeiro) e festa de agosto (parte profana desse processo: barracas, espetáculos artístico-culturais, parque de diversões, beijo na boca, dentre outros). Uma clara tentativa de demonstrar aos fiéis que apenas dentro do terreno religioso que se alcança a salvação. Todo resto é o supérfluo, desnecessário. O profano, por sua vez, seja sereno, ao fluxo dos desejos humanos, por mais vis que sejam. Sem ofender a ninguém, toda mistura é permitida.

Onde entra a fé nesse processo? Todo homem se sustenta nas suas crenças, independentemente de quais sejam. No que concerne ao sagrado e ao profano, o homem sustenta a fé naquilo que o deixa mais cômodo e que o proporcione maior bem-estar. E que mal, se esse mesmo sujeito crer que o sagrado e o profano são essenciais para si? Fica-se o questionamento.

Aqui não cabe espaço para o julgamento/condenação, mas para compreendermos que a sacralidade da religião, muitas vezes pode não dar conta dos laços sociais humanos, cabendo ao profano ser esse elo de ligação do sujeito com sua realidade, atrelando sentido que apenas a religiosidade não dará conta, se não for por meio de uma viés fanático e autoritário. Viva São Raimundo Nonato e viva a Festa de Agosto.

Luis Fernando é graduado em Psicologia pelo Centro Universitário Unileão, Especialista em Teoria Psicanalítica, Gestão Estratégica de Políticas Públicas e Mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas. Perito Judicial do TJ/CE e Psicólogo Clínico na Clínica Laços. Apresentador do Programa Swing Filosófico, pela Rádio e TV Atual Online. Amante de gatos e produtor de conhecimento.

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