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SWING FILOSÓFICO – A ética nas relações


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Ironicamente minha primeira escrita neste portal converge com o dia da(o) Psicóloga(o), mas isso é irrelevante. já o tema do qual tratarei é imprenscindível, a saber, a ética nas relações.

A igualdade é um paradigma da contemporaneidade, sobretudo partindo da ideia de popularização da internet e de sua teia de informações. No mesmo espaço virtual há visibilidade para quem dedicou anos de vida estudando temas específicos, bem como para sujeitos que possuem opiniões definidas com base em suas crenças e achismos. Está montado um palco para a polarização de ideias, crenças, valores e opiniões.

Tal perspectiva tem total ligação com a ética nas relações, visto que minha ação – ainda que seja na internet – produz efeitos no mundo, efeitos em massa, extremamente poderosos dependendo da situação. Mas afinal, o que delimitaria uma ética diante do outro e, portanto, nas relações?

Evidentemente há muitas respostas para tal questão, pode-se ‘começar do começo’ e notadamente dizer que “No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus…”. Ao mesmo tempo podemos evocar a ética grega pregada por Aristóteles (324 a.C. – 322 a.C.), pela qual a virtude seria o resultado de uma justa medida entre um vício ou excesso e uma temeridade ou falta. Atualizando esta discussão, Bauman (1925 – 2017) nos fala de uma sociedade de consumo em que o imperativo das relações é a liquidez desde o ponto de partida e que tem no efêmero seu sustentáculo.

Não haveria, portanto, espaço para o substrato de uma relação ética, ou seja, a profundidade e a transparência necessárias à construção de laços enraizados e duradouros.

Evidentemente isto pode produzir efeitos subjetivos devastadores, como o aumento da solidão e diversas tentativas imediatistas de barrar o sofrimento – compulsões diversas, drogadição, pensamentos terrificantes e/ou mórbidos – que se persistirem geram mazekas irreparáveis à qualidade das relações socioafetivas e consequentemente à qualidade de vida do sujeito.

Logo, há que se pensar que ética é posível diante das conjecturas sociais de nosso tempo. Tempo líquido, de consumo irrestrito e tudo – incluídos aí as relações e a própria ética -, indicando uma performática do ilimitado como ideário social vigente. Diante de tal contexto seria, portanto, tangível consumir um éthos benéfico socialmente enquanto via de subjetivação e de produção de laços sociais saudáveis?

Por: José Lopes Teixeira Neto

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