Wednesday, December 8A força da nossa voz!

SWING FILOSÓFICO – “Mano a Mano”: um podcast para assistir, analisar, criticar e se deliciar

Para escrever esse texto de hoje, foi necessário me permitir passar por uma experiência nova, e, que no final das contas se mostrou rica do começo ao fim: assistir a um podcast para analisá-lo. O escolhido foi o “Mano a Mano”, Original do Spotify, tendo como apresentador Mano Brown, integrante do Racionais MC’s e primeira convidada, Karol Conká, também rapper e ex-integrante do BBB-21.

O desejo de se analisar esse podcast veio, além da curiosidade em sempre conhecer coisas novas, em descobrir porque esse podcast, em específico, era objeto de destaque nas mídias sociais e na internet, como um todo, como o mesmo tocaria em minha intimidade.

Não é tão difícil de se descobrir, haja visto o destaque de Mano Brown no Racionais MC’s e no cenário do rap nacional, além dos posicionamentos fortes e incisivos, independentemente da opinião da mídia acerca de si e Karol Conká também não fica atrás, rapper e que também não possui papas na língua, passando por um processo de cancelamento por conta da sua atuação no Reality Show BBB-21, onde foi eliminada com 99,17% dos votos, nível de rejeição recorde em todas as edições brasileiras.

Adentrando nas minúcias do podcast, o primeiro dos outros 15 episódios que virão (16 episódios ao todo), com lançamento semanal, percebo um debate democrático e maduro, onde a empatia, o colocar-se no lugar do outro, é a ética desse debate. Me surpreende o fato de perceber o quanto Mano Brown, para preparar-se para o podcast, buscou embasamento na ciência, principalmente na disciplina da história, apropriando-se da diáspora africana, já que o mesmo é marcado pelas questões de negritude e todos os seus desdobramentos.

Inclusive, negritude analisada pela questão do protagonismo, de força e empoderamento, rebatendo qualquer hipótese de vitimismo ou diminuição perante o branco ou as opressões. Algo inédito em debates que eu já tenha visto ou presenciado.

Apesar de toda a rejeição a figura de Karol Conká e uma tentativa insana de cancelamento por parte de todos, se tornando o objeto favorito e preferido de nosso ódio, percebo uma mulher que apresenta força e resistência perante esse contexto, identificando que, como qualquer ser humano, cometeu erros e excessos, pensou/está pensando sobre e procura se corrigir, dando novo sentido a todo mal-estar que possa ter causado a si e ao outro.

Ademais, uma das falas mais marcantes do podcast é dita por Mano Brown, quando afirma que:  — Eu não a julgo. No Brasil, quanto mais você abaixa, mais a bunda aparece. Eu não sei se as pessoas estão merecendo você pedir tanto perdão assim — opinou Brown durante esse diálogo. Uma postura que raramente se vê após a primeira pedra do cancelamento ser lançada contra uma pessoa.

O podcast, com mais de uma hora de duração, me encantou do começo ao fim. A linguagem, os debates, a empatia ao escutar o outro (sem julgamentos prévios), a democracia de expressar aquilo que se quer (sem restrições), alimenta o meu desejo por acompanhar todos os demais episódios, para descobrir quais serão as próximas emoções, as próximas aprendizagens, onde a fala do outro pode me tocar.

Essas são as minhas impressões. Recomendo que os leitores faça a experiência por si mesmos, adentrando de corpo e alma na escuta do podcast, deliciando-se com tal processo, analisando e criticando a partir da vivência que cada um possui. Divirtam-se.

Link do episódio: https://open.spotify.com/episode/27XkW9BQhnlKEYRvrXLoF8

Luis Fernando é graduado em Psicologia pelo Centro Universitário Unileão, Especialista em Teoria Psicanalítica, Gestão Estratégica de Políticas Públicas e Mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas. Perito Judicial do TJ/CE e Psicólogo Clínico na Clínica Laços. Apresentador do Programa Swing Filosófico, pela Rádio e TV Atual Online. Amante de gatos e produtor de conhecimento.

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