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Crise na saúde em Várzea Alegre se prolonga e gera crise política

Após o radialista Franzé Sousa denunciar a falta de médicos no hospital São Raimundo, a crise na saúde de Várzea Alegre, já sentida pelo povo, mas convenientemente jogada para debaixo do tapete, veio à tona.

Rapidamente, no dia seguinte ao fato, o prefeito de Várzea Alegre, Zé Hélder (MDB), foi à Rádio Cultura afirmar que tudo aquilo tratava-se de um caso isolado. Ainda informou que os repasses que estão em débito seriam feitos com rapidez. O caso foi prontamente acompanhado pelo programa Escotilha Policial e por este site.

Dr. Fabrício entra na briga, rebate áudios e anuncia candidatura

Entretanto, a crise se alastrou pela esfera política, quando vazaram áudios do Dr. Vitorino Júnior, diretor clínico do Hospital São Raimundo, criticando a postura do vice-prefeito Dr. Fabrício Rolim (DEM). As falas expondo o caos na gestão de saúde, bem como no emaranhado de forças políticas envolvidas viralizaram em grupos de whatsapp.

Após o ocorrido, Dr. Fabrício Rolim rebateu violentamente em suas redes sociais:

Desde a ocasião, o vice, cujo lugar de fala nos espaços de gestão nem sempre é respeitado, busca em participações na tribuna da Câmara, onde sua esposa Dra. Luciana Rolim (DEM) tem assento.

A querela estendeu-se ao ponto de, dias depois do início da polêmica entre Dr; Vitorino Júnior e Dr. Fabrício Rolim, o vice-prefeito anunciar candidatura ao majoritário em 2024. O anúncio foi feito em suas redes sociais.

Vale salientar que, em 2016, Dr. Fabrício já havia sinalizado uma candidatura, mas voltou atrás para unir-se ao atual gestor municipal em uma chapa que se consagrou vitoriosa tanto naquela ocasião como em 2020. E, à semelhança daquele período, no dia 7 de setembro, o vice fez questão de suavizar o clima de guerra, apontando a continuidade de sua união política a Zé Hélder.

Em outra reviravolta destas turbulentas semanas políticas, a Dra. Luciana Rolim, nesta sessão da Câmara do dia 08 de setembro, fez dura fala, ainda ressaltando ás críticas recebidas por ela e seu marido nos citados áudios vazados. A fala foi apenas ouvida por situação e oposição, nenhum dos dois grupos apoiou ou criticou a fala, permanecendo indiferentes.

A explicação de Dr. Vitorino Júnior acerca da situação do Hospital

Após a repercussão, o Dr. Vitorino Júnior enviou ao jornalista Franzé Sousa a sua explicação para os fatos, para a situação na qual se encontra o Hospital São Raimundo.

“Boa tarde, amigo. Não sei se esse assunto está bem esclarecido, mas vou tentar explicar de uma forma mais fácil.
O hospital, por ser categorizado como Hospital Polo, recebe um valor “X” por cada clínica contratualizada com o estado. Até Dezembro, tínhamos 4 clínicas contratualizadas (clínica médica, Ginecologia/Obstetrícia, Pediatria e Cirurgia Geral).
Em Dezembro tivemos reunião com alguns representantes da Secretaria de Saúde do Estado, onde nos foi comunicado que o valor “X” pago por cada clínica sofreria um reajuste, além de que receberíamos por mais 2 clínicas (Traumatologia e Anestesiologia), mas pra isso teríamos que mostrar o serviço em funcionamento já a partir de Janeiro/2021. Montamos escala com todos os profissionais e ficamos no aguardo do dinheiro. Porém, os valores que foram pagos não vieram com o reajuste e nem com a incorporação das 2 novas clínicas.
Agora em Agosto, recebemos o valor da competência “Julho” com o reajuste e a incorporação das 2 novas clínicas. Hoje, 06/09/21, ainda não recebemos a competência “Agosto”.
O que o Estado nos deve, são as 2 novas clínicas (entre as competências de Janeiro a Junho), além da diferença do reajuste no valor das 4 clínicas preexistentes, que soma algo em torno de R$ 1.000.000,00. Esse retroativo foi prometido, em Agosto, que entraria 50% até Outubro e os 50% restantes não tinham data prevista. Até agora, não entrou nada do retroativo. Importante dizer que essa dívida não é só com o São Raimundo, como também com hospitais como o São Francisco e São Raimundo (ambos no Crato), São Lucas (Juazeiro), Santo Antônio, Hospital do Coração e Hospital São Vicente (Barbalha), além do Hospital de Brejo Santo”.

Dr. Vitorino Júnior, em mensagem enviada ao radialista Franzé Sousa, mensagem divulgada nas redes socais de Franzé

O atraso no recebimento de recursos foi confirmado pelo prefeito municipal, no dia 7 de setembro. De acordo com o gestor, até àquela data os repasses ainda não tinham sido realizados.

Secretário Ivo Leal se pronuncia sobre os repasses

Sobre o informado pelo Dr. Vitorino Júnior, o secretário de Saúde, Ivo Leal, falou ao programa Escotilha Policial deste dia 08 de setembro.

Na outra ponta: o povo

Entre embates e debates, quem sofre com tudo isto é o povo, que fica a mercê de não ter um hospital público no município, nem poder contar com tudo o que o atual único hospital pode oferecer, por conta de profissionais que não estão sendo pagos e da sobrecarga de trabalho em alguns profissionais já em idade avançada e já aposentados, ou no corpo de enfermeiros que tem se desdobrado para manter o mínimo de um digno funcionamento.

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