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SWING FILOSÓFICO – Lacan – um homem além do seu tempo

Falar sobre a ciência é trabalhar com o nome dos gênios que a representam. Lembrar da psicanálise é remeter-se a figuras como Freud (Pai e fundador), Melanie Klein, Winnicott, Françoise Dolto, dentre outros.

Compreendo Lacan como o grande intérprete da teoria psicanalítica, por conseguir extrair a essência da teoria freudiana, fazendo uma releitura necessária, quando a psicanálise rumava a uma terapêutica do “Eu”, ao invés de trabalhar-se com o inconsciente, suprassumo daquilo que acreditamos enquanto clínicos e teóricos.

Trata-se de um ser bastante polêmico, haja visto trabalhar com conceitos inimagináveis para a ortodoxia das instituições psicanalíticas, como as sessões baseadas no tempo lógico, também conhecido como tempo do inconsciente, gerando as sessões curtas, alvo de extensas críticas. 

Lacan demonstra que a clínica psicanalítica é a clínica do desejo, aquela na qual não existe apenas a procura e manutenção do processo por parte do analisando, mas a análise dar-se-á pela marca desejante do analista, enquanto semblante, enquanto Sujeito Suposto Saber (SSS). Essa relação promove processos de subjetivação e bem-estar, com toda a criticidade necessária que fazemos a todo ordenamento biomédico contemporâneo.

No programa deste segunda-feira, dia 13/09, nosso pensador, Lacan, foi colocado na berlinda. Pensar um pensador (desculpem a redundância) é tentar esquadrinhar a forma como tal pensador, tão fundamental no trabalho clínico de José Lopes e meu, perpassa as nossas vivências cotidianas.

Conceitos como “inconsciente”, “repetição”, “transferência” e “pulsão, marca dessa retomada a obra freudiana, são acrescentados por elaborações teóricas como “real”, “simbólico”, “imaginário”, “objeto a”, “Outro (grande outro)”, “gozo”, “discursos”, “matemas”, “significante”, “angústia”, “Sujeito Suposto Saber (SSS)”, “fórmulas da sexuação”, “desejo”, dentre outros, difíceis de serem captados/compreendidos, porém encantadores em sua descoberta.

Frases como “O inconsciente é estruturado como uma linguagem”, “A relação sexual não existe” e “Amar é dar o que não se tem a alguém que não o quer”, somente por serem citadas, provocam curiosidade e muitas vezes mal-estar, marca de como o nosso inconsciente é tocado pelo efeito da linguagem do outro em nossa subjetividade (seja escrita ou falada).

Nossa mente pensada a partir de fórmulas matemáticas, é algo impensável em uma tradição cientifica que define o substrato mental como a simples interação das substâncias cerebrais em um sujeito, sem levar em conta seu processo de formação da personalidade

Recomendo o estudo obra lacaniana, fruto das produções teóricas e clínicas do mais autêntico freudiano. Nessa caminhada, seremos vários a não compreendê-lo, porém completamente apaixonados pela sua biografia e sua obra. Um homem além do seu tempo, que em pleno 2021, mesmo falecido a quarenta anos, não tem a mínima pretensão de ser ultrapassado. Livre e vivo, fiel ao seus posicionamentos e tocante na infalível arte de transmissão da psicanalise, arte, ofício e profissão.

Luis Fernando é graduado em Psicologia pelo Centro Universitário Unileão, Especialista em Teoria Psicanalítica, Gestão Estratégica de Políticas Públicas e Mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas. Perito Judicial do TJ/CE e Psicólogo Clínico na Clínica Laços. Apresentador do Programa Swing Filosófico, pela Rádio e TV Atual Online. Amante de gatos e produtor de conhecimento.

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