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SWING FILOSÓFICO – A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais: duas faces de uma mesma moeda

Inicio esse texto, afirmando de antemão que um fato/fenômeno pode ter diferentes interpretações, dependendo do ponto de vista pelo qual é analisado. Isto clarifica o entendimento de que interpretamos o mundo a partir de nossa subjetividade, construção sócio-histórica e cultural.

A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais são produções do diretor Muricio Eça, com a dupla de roteiristas Ilana Casoy e Raphael Montes, que interpretam, a partir dos autos do processo, um dos crimes mais midiáticos do Brasil, o caso Suzane Von Richthofen, que, juntamente com os irmãos Daniel Cravinhos e Cristian Cravinhos, orquestraram e assassinaram dos pais da mesma, Manfred e Marísia von Richthofen.

Como são baseados nos depoimentos e na visão dos autores acerca do ocorrido, recomendo um olhar crítico e ampliado acerca do caso, com pesquisas posteriores no Google, para que aprofunde o entendimento e análise das produções cinematográficas, além de buscar as contradições de duas visões de mundo totalmente diferentes, com marcadores socioeconômicos e culturais, utilizados com maestria na tentativa de amenização da pena de ambos os envolvidos. Antes de qualquer análise, curtir os filmes em toda a sua intensidade é fundamental, afinal de contas, nada melhor do que vivenciar qualquer experiência sem pré-julgamentos.

Minhas impressões sobre os dois filmes foram bastante positivas, haja visto serem retirada dos autos do processo e tratadas de uma forma respeitosa pela produção dos longas-metragens. Percebemos a realidade vivencial de Daniel e Suzane sendo exploradas de uma forma franca, sincera e honesta. Daniel e Suzane, de classes socioeconômicas distintas, mas que se envolveram em um relacionamento duradouro, interrompido apenas pela prisão dos mesmos.

Um fenômeno comum em ambas as produções é a questão da drogadição, fenômeno contemporâneo, que marca o mundo recreativo de milhares de jovens brasileiros, problema de saúde pública, que apontam para a urgente necessidade de darmos novos significados as nossas vivências enquanto indivíduos e coletividades, que não apontem as substâncias psicoativas como fatores de subjetivação e de inserção social. creio haver formas mais saudáveis e interessantes de construção do laço social.

Um relacionamento mostra-se adoecido, fato retratado nos dois filmes, quando a solução para a manutenção do mesmo basear-se na total eliminação da alteridade, por meio do homicídio praticado contra os pais de Suzane. Percebe-se que diversos fatores, como a existência de psicopatologias, relacionamento disfuncionais entre ambos os envolvidos (Daniel e Suzane, pais de Suzane), podem ter sido gatilhos para todos

Por fim, afirmo que vale a pena assistir as duas produções e fazer o seu próprio julgamento. A quem cabe a verdade sobre os fatos cotidianos, além daquelas pessoas que os julgam? Em um tecido social onde julgar o outro, talvez seja o nosso maior divertimento, o nosso maior espetáculo, o filme nos exija um olhar livre de quaisquer formas de avaliação precipitada do outro. Talvez o nosso atual e mais interessante exercício de compreensão da realidade de vida do outro.

Luis Fernando é graduado em Psicologia pelo Centro Universitário Unileão, Especialista em Teoria Psicanalítica, Gestão Estratégica de Políticas Públicas e Mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas. Perito Judicial do TJ/CE e Psicólogo Clínico na Clínica Laços. Apresentador do Programa Swing Filosófico, pela Rádio e TV Atual Online. Amante de gatos e produtor de conhecimento.

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