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SWING FILOSÓFICO – Economia doméstica no contexto da pandemia

Nesta última segunda-feira, dia em que a terra praticamente parou, por conta da paralisação das redes socais de Mark Zuckerberg (WhatsApp, Facebook e Instagram), estivemos reunidos em nossa bancada para discutir algo que paralisa a vivência de milhares de pessoas: a administração da vida cotidiana, a economia doméstica, no contexto da pandemia.

Concordamos que devido aos elevados preços dos produtos alimentícios e da crescente inflação e ao contexto pandêmico, nossa luta diária direciona-se a sobrevivência. Isto é, economizar dinheiro, atualmente é um apontamento para um lugar de privilegio que cada vez menos pessoas possuem, também servindo como sinalizador para a necropolítica cometida diariamente em solo nacional.

Percebe-se, como apontado pelas pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que a pandemia afeta a vida econômica de ricos e pobres de uma forma diferenciada, haja visto que em cerca de um ano de pandemia (março de 2020 a fevereiro de 2021), a inflação sentida pelas famílias brasileiras mais pobres foi de 6,75%, enquanto que nas classes mais privilegiadas, a inflação sentida girou em torno de 3,43 %. O preço dos produtos são os mesmos, porém a forma que tal fato impacta em nossas vidas, depende da classe social ao qual pertencemos.

Enquanto sociedade, deveríamos clamar por uma reforma tributária justa e equânime, que permitisse aos coletivos empobrecidos viver de uma forma digna, conforme preconizado pela Constituição Federal Cidadã de 1988 e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Podemos definir Economia Doméstica como uma área do conhecimento que agrega conhecimentos da administração, educação, nutrição e do serviço social, tratando-se de conhecimentos que visam transformar a atividade de poupar em um hábito diário, evitando-se, dessa forma, o desperdício e estimulando-se o consumo sustentável.

Possuímos enquanto coletividade e cultura o hábito de gastarmos nossas finanças, sem pensarmos nas consequências, resultando em processos de endividamento, que nos dias atuais gira em torno de 60 milhões de inadimplentes, apontando inúmeras gestões ineficazes das finanças pessoais.

A educação brasileira, produtora de peões de chão de fábrica, capazes de cumprir ordem, mas não de serem autônomos, de fato e de direito, não privilegia e cuidado com as finanças pessoais e familiares, criando-se muitas vezes relações de dependência em relação a instituições financeiras, processos sem fim de endividamento e geradores de mal-estar. Os processos educacionais mostram-se falhos nesse sentido, sendo necessário, portanto, que esses debates acerca da economia doméstica ocorram diariamente nos meios de comunicação, gerando processos de sensibilização para aqueles que procuram tal entendimento.

Para aqueles que necessitam das famosas dicas para lidar com problemas relacionados aos descontroles financeiros, nosso convidado, o contador Arthur Bezerra, traz seis importantes dicas para o nosso leitor:

1 – Custo mensal – Quanto eu custo por mês? Qual o meu valor mensal? Analisar de forma clara e objetiva os gastos mensais de cada indivíduo consigo. Lembrando que nessa conta não devem constar apenas as despesas fixas, como internet, conta de luz, conta de água, dentre outros, mas a cerveja do final e os lanches fora de casa devem constar nessa avaliação;

2 – Não comprometer mais do que 30 % do orçamento mensal com prestações. Caso exista o desejo de adquirir-se algum produto, comprar à vista é mais recomendável, pelo poder de barganha que o comprador possui nesse processo;

3 – Ter objetivos claros do que fazer com o dinheiro que venha a sobrar todos os meses, ou seja, planejar investimentos/empreendimentos a curto, médio e longo prazo;

4 – Rotina de acompanhamento de gastos, de forma minuciosa, evitando-se dessa forma, quaisquer eventualidades;

5 – Utilizar-se de ferramentais para realizar o acompanhamento de gastos, como, por exemplo, as planilhas do Excel ou aplicativos para celular;

6 – Cortar gastos desnecessários, supérfluos. Talvez a mais difícil das lições, num tecido social que estimula o consumo desenfreado de bens e/ou serviços.

Apesar de todas as impossibilidades do momento pandêmico, podemos, da melhor forma possível, investir em nosso crescimento financeiro, por meio do correto planejamento da nossa vida cotidiana e pela criação de hábitos saudáveis.

Luis Fernando é graduado em Psicologia pelo Centro Universitário Unileão, Especialista em Teoria Psicanalítica, Gestão Estratégica de Políticas Públicas e Mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas. Perito Judicial do TJ/CE e Psicólogo Clínico na Clínica Laços. Apresentador do Programa Swing Filosófico, pela Rádio e TV Atual Online. Amante de gatos e produtor de conhecimento.

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