Wednesday, December 8A força da nossa voz!

BRUNO SIEBRA – Lembrar a morte é cultivar a vida

Em direção à morte, o único caminho sem curva, eis-nos na incerteza que é entender a vida. Aqueles que decidem viver sem muletas espirituais, sabem que o aqui e agora é tudo o que se tem. Do bem que se faz não é por recompensa, ou por medo, mas sim pelo simples fato de fazê-lo. Do que se constrói é na certeza de que o prazer e o viver pertence ao momento presente, e que todo plano a prazo longo é um verdadeiro tiro no escuro.

Costumam dizer que hoje é um dia em que se lembra os que partiram, discordo, pois alguém que cessa sua jornada e deixa um legado positivo na vida da gente nunca cessa de estar presente, e de ser um presente. Guardo os meus com tenro apreço, sem saudade egoísta e amarga. E olhe que já foram muitas partidas dolorosas, e sei que virão outras tantas mais…

Com respeito a todas as culturas, da morte só quero, quando chegar a hora, que não profanem meu corpo frio e inútil à engrenagem do mercado em nenhuma religião conhecida ou que venha a ser inventada na busca por preencher o vazio existencial de alguém. Abram um buraco, contem meia dúzia de histórias impublicáveis sobre mim e me lancem dentro, pra que os vermes façam justiça histórica em minha carne.

E é isto, sei que a vida é pior quando não se pensa na morte, quando se tem medo dela. É preciso ter em mente o final para se aproveitar melhor a viagem. Aliás, este é um tema que permeia toda minha obra, quem ouviu atentamente “A vida continua“, “Saudade” ou leu alguns de meus poemas sabe que a morte ronda meu fazer artístico e reflexivo como ponto de partida para o fluir e o fruir da vida.

Então, “cadáveres adiados”, como nos chama Karnal, aproveitemos este dia para refletir, e principalmente, viver!

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